A BEIRA desenvolve uma pesquisa contínua sobre construção, modelagem, costura e avesso. Elementos normalmente ocultos no interior das roupas tornam-se parte de seu desenho. Essa linguagem nasce da experimentação cotidiana no ateliê e do diálogo entre criação, modelagem e o conhecimento das costureiras.

Iniciada em 2014, a pesquisa com costura tripla evoluiu das primeiras aplicações à construção integral de peças com a técnica. Em 2019, a BEIRA passou a desenvolver e comercializar roupas com costura tripla reversa, trazendo para a superfície externa a formação dos pontos e fios normalmente mantida no avesso.

Esse desenvolvimento envolve adaptações e ajustes nas máquinas de três agulhas, testes de linhas e sequências de montagem próprias para trabalhar curvas, recortes e tecidos delicados, como a seda. A costura acompanha a modelagem, evidencia as uniões e participa da forma, do caimento e do movimento de cada peça.

A pesquisa se amplia da união entre partes da roupa para a criação de superfícies têxteis próprias. Desenvolvidas e executadas artesanalmente no ateliê com costura tripla reversa, essas superfícies combinam repetição de pontos, recortes, sobreposições e trabalho com os fios para criar padronagens, texturas, volumes e estruturas.Da construção da roupa à transformação do tecido, a costura tripla reversa constitui uma assinatura da BEIRA. Cada novo desenvolvimento dá continuidade ao conhecimento construído em equipe e abre possibilidades para a pesquisa artesanal da marca.

2014

Ateliê próprio, máquina de três agulhas e pesquisa sobre o avesso

Desde 2014, a BEIRA reúne criação, modelagem e costura em ateliê próprio. A proximidade entre essas etapas permite experimentar materiais, ajustar formas e acompanhar a construção das peças, dos primeiros testes aos acabamentos.

A aquisição de uma máquina industrial de braço, com três agulhas e seis linhas, integra a estruturação técnica do ateliê. As primeiras aplicações da costura tripla em partes das roupas são acompanhadas por testes e regulagens para trabalhar tecidos finos, como a seda.

Nesse período, o avesso já aparece nos textos da marca como uma maneira de revelar a construção. Costuras, recortes e detalhes internos começam a ser explorados como elementos de uma linguagem que aproxima o desenho da roupa de seu modo de fazer.

“Gostaríamos que elas fossem vistas do avesso, para a costura levar o usuário ao entendimento da construção das peças.”

— BEIRA, texto de apresentação, 2014.

2015

Primeiras entregas e continuidade da pesquisa

Em 2015, as primeiras entregas das coleções acompanham o desenvolvimento das modelagens e das aplicações da costura tripla. A técnica aparece em partes das peças, inclusive em seda pura, enquanto o trabalho cotidiano no ateliê permite aprofundar o conhecimento sobre materiais, montagem e acabamento.

Fotografias desse período mostram a máquina de braço ao lado dos cortes de um conjunto em seda marrom, aproximando o registro do equipamento das roupas em desenvolvimento.

Nos textos de apresentação da marca, a costura e o avesso permanecem como caminhos para compreender a construção. A pesquisa se desenvolve em continuidade: cada coleção retoma formas, materiais e soluções anteriores, abrindo possibilidades para as próximas peças.

2016

Equipamentos, precisão e aperfeiçoamento do ateliê

A pesquisa construtiva é acompanhada pelo aperfeiçoamento dos recursos de trabalho. Em 2016, a máquina de braço de três agulhas permanece integrada à estrutura do ateliê, enquanto novos acessórios e ajustes auxiliam outras operações de costura.

Entre esses recursos, a incorporação de um guia a laser à máquina de mosquear busca maior precisão no posicionamento dos pontos. São melhorias específicas, desenvolvidas conforme as necessidades de execução das peças.

A experimentação envolve tanto a escolha dos materiais quanto o modo de trabalhar com cada equipamento. Consultas técnicas, regulagens e testes fazem parte desse processo, aproximando a intenção do desenho das possibilidades de realização.

2017

Costura tripla na construção integral das peças

Em 2017, a BEIRA amplia o uso da máquina de braço e desenvolve um casaco em seda inteiramente construído com costura tripla em cores contrastantes. Ainda sem a inversão do ponto, as linhas evidenciam as uniões e os recortes, participando do desenho da peça.

Essa aplicação integral representa uma etapa da pesquisa, que ainda convive com diferentes soluções de construção na coleção. Regulagens e ajustes acompanham os testes com materiais e modelagens.

No material preparado para a candidatura ao Festival de Hyères, na França, fotografias, descrições e amostras apresentam a costura tripla como processo construtivo. O conjunto inclui peças realizadas com máquina de três agulhas e uma camiseta em malha confeccionada sem overloque.

A costura passa a ser explorada em toda a construção de determinadas peças, ampliando sua presença para além de aplicações localizadas.

2018

Ampliação da técnica e reconhecimento da linguagem construtiva

A BEIRA amplia as aplicações da costura tripla e desenvolve novos pilotos, incluindo experiências em malharia no Peru. O trabalho envolve orientações de montagem, ajustes da máquina de braço e testes para adequar sua execução a diferentes materiais.

A pesquisa com seda continua, acompanhada pelo desenvolvimento de soluções para tornar a costura parte cada vez mais presente na construção das roupas. Peças comercializadas internacionalmente apresentam as três linhas paralelas como um elemento reconhecível da linguagem da marca.

O avesso também é explorado nas imagens e nas possibilidades de uso: camisetas passam a ser fotografadas com o interior exposto, aproximando essa investigação da apresentação das coleções.

Em outubro, a Harper’s Bazaar registra a escolha deliberada da máquina de três agulhas para evidenciar a costura.

“Preferi a costura de máquina de braço, que são as três agulhas, para chamar muita atenção para a costura.”

— Lívia Cunha Campos, Harper’s Bazaar, 24 de outubro de 2018.

2019

Costura tripla reversa na passarela e na circulação internacional

Em 2019, a BEIRA desenvolve e apresenta a costura tripla reversa como parte de sua linguagem construtiva. No SPFW N47, peças pretas com linhas contrastantes trazem para a superfície externa os fios e pontos normalmente mantidos no interior da roupa.

O contraste evidencia a modelagem e os encontros entre as partes. A imprensa acompanha esse movimento, destacando o avesso e as costuras expostas como elementos do desenho da coleção.

No mesmo ano, peças com a execução reversa chegam à Totokaelo, nos Estados Unidos. O desenvolvimento da produção em Portugal amplia os desafios de realização: curvas, paralelismo das linhas e encontros de costuras exigem testes, regulagens e aprendizado técnico.

A experiência reforça a relação entre desenho e execução. Trabalhar com três agulhas e linhas contrastantes exige atenção às sequências de montagem e à precisão das uniões.

“As linhas de dentro da roupa saltaram para fora.”

— Pedro Diniz, Folha de S.Paulo, 24 de abril de 2019.

2020

Consolidação da costura tripla reversa

Em 2020, a costura tripla reversa se consolida na produção e na comunicação da BEIRA. Testes de linhas, regulagens e sequências de montagem aprofundam as possibilidades de construir pelo avesso, especialmente em tecidos delicados.

O desenvolvimento exige atenção ao comportamento do material e à formação dos pontos. A escolha das linhas e a maneira de unir as partes influenciam tanto o acabamento quanto a presença visual da costura.

Nos materiais da marca, a técnica passa a ser descrita de forma explícita, associando sua execução às adaptações das máquinas e ao conhecimento especializado das costureiras.

“These pure silk pieces are constructed with triple stitching on the reverse of the fabric, with no overlocks or fast finishes.”

“Estas peças de seda pura são construídas com costura tripla pelo avesso do tecido, sem overloque ou acabamentos rápidos.”

— BEIRA, Instagram, 18 de outubro de 2020.

2021

Modelagem, recortes e costura como desenho

A costura tripla reversa participa cada vez mais das decisões de modelagem. Fendas, recortes e encontros entre partes são desenvolvidos considerando sua execução na máquina de braço e o desenho formado pelas linhas.

A proximidade entre criação, modelista e costureiras permite avaliar soluções durante o desenvolvimento. Uma alteração no molde pode melhorar a montagem; um teste de costura pode sugerir outro acabamento ou uma nova maneira de trabalhar o volume.

A BEIRA apresenta publicamente as adaptações manuais das máquinas para trabalhar curvas, detalhes e tecidos delicados. Nas newsletters, a construção das peças também ganha espaço.

A Calça com Cós Ajustável, composta por 33 partes, exemplifica essa relação: as costuras invertidas enfatizam as uniões e participam do volume da roupa.

“Calça com Cós Ajustável possui costura tripla reversa em cores contrastantes.”

— BEIRA, newsletter Técnicas de Modelagem, 12 de outubro de 2021.

2022

Avesso, volumes e desenvolvimento de superfícies

A pesquisa se amplia com experimentações de pesponto triplo, enchimentos internos e combinações de materiais. Um casaco concebido para uso pelos dois lados aproxima a investigação do avesso do desenvolvimento de superfícies reversíveis.

Amostras, franzidos e testes cromáticos permitem avaliar qual face da costura revelar e como sua aplicação modifica o volume e o comportamento do tecido.

Em setembro, a exposição Green Swim, na galeria Ed. Varie, em Nova York, apresenta a costura tripla reversa como técnica característica da BEIRA. A comunicação da exposição descreve a construção de dentro para fora e as adaptações manuais das máquinas para trabalhar curvas e tecidos delicados.

Na instalação, a iluminação neon evidencia as linhas de costura, convidando o público a acompanhar os percursos que estruturam as roupas.

“Beira’s signature technique of reversed triple stitching.”

“A técnica característica da BEIRA de costura tripla reversa.”

— Comunicação da exposição Green Swim, Ed. Varie, setembro de 2022.

2023

Padronagens artesanais e linhas neon

m 2023, a BEIRA aprofunda o desenvolvimento de superfícies têxteis com costura tripla reversa. Linhas neon evidenciam desenhos formados por diagonais, cruzamentos e quadriculados em diferentes dimensões.

Os padrões são desenhados, testados e executados artesanalmente no ateliê. Sua distribuição considera a modelagem aberta e os encontros que surgirão após a montagem, aproximando o desenho da superfície da forma final da roupa.

A pesquisa é aplicada a calças, tops e acessórios. Na Bolsa Shopper, partes de algodão recebem os padrões de costura antes de serem organizadas e unidas para construir seu volume.

Nas imagens e newsletters, esses desenvolvimentos aparecem como peças pespontadas, apresentando ao público a ampliação da técnica: da construção da modelagem à criação de padronagens no tecido.

“A nossa costura tripla foi da construção da modelagem até a padronagem do tecido.”

— BEIRA, Instagram, 13 de fevereiro de 2023.

2024

Tridimensionalidade e texturas com costura tripla reversa

A BEIRA aprofunda a pesquisa de superfícies, explorando texturas e volumes com costura tripla reversa. O desenvolvimento aproxima recortes, franzidos e plissados, ampliando as possibilidades tridimensionais do tecido.

A escolha dos materiais, das linhas e das sequências de montagem acontece em diálogo com a modelagem. Amostras e provas permitem observar como cada intervenção modifica a superfície, o caimento e o movimento.

Desenvolvidas artesanalmente no ateliê, essas construções dão continuidade às padronagens dos anos anteriores e abrem novas possibilidades para integrar textura e forma na mesma peça.

2025

Texturas, recortes e plissados manuais

Em 2025, a BEIRA aprofunda a combinação de plissados manuais, drapeados, recortes e costura tripla reversa. A pesquisa aproxima o trabalho sobre a superfície das decisões que definem a forma e o movimento das roupas.

Ao lado das linhas contrastantes e neon, as aplicações em tom sobre tom evidenciam outra presença da técnica: sua participação na estrutura da peça, mesmo quando o desenho dos pontos é menos aparente.

A escolha das linhas, a avaliação dos drapeados e a revisão dos recortes são realizadas em diálogo entre criação, modelagem e costura. Desenhos técnicos, amostras e provas acompanham esse processo.

Cada desenvolvimento retoma o conhecimento acumulado no ateliê, aprofundando a relação entre textura, volume e construção artesanal.

2026

Construção têxtil e novos desdobramentos da costura tripla reversa

A pesquisa avança na construção de superfícies que combinam diferentes tonalidades de seda. Os tecidos são recortados, unidos e franzidos manualmente, criando efeitos de cor e padronagens pela combinação dos próprios materiais.

A costura tripla reversa participa dessa construção junto aos recortes e drapeados. Sua aplicação organiza as uniões e contribui para a formação de texturas, volumes e estruturas.

Pences voltadas para fora e fios preservados em determinados acabamentos prolongam visualmente os percursos da costura. O encadeamento formado ao retirar a peça da máquina de braço passa a integrar a expressão da roupa.

Desenvolvidas e executadas artesanalmente no ateliê, essas experiências dão continuidade à investigação do avesso. A técnica conecta a montagem das peças à transformação do próprio tecido, abrindo novas possibilidades para a linguagem construtiva da BEIRA.